Tentei sempre nunca me entregar demasiado, mas acabei por dar ate o que não tinha. Parece que quanto menos desejava, mais queria. Sempre fiz um esforço enorme para não me apaixonar por ti, mas acho que foi isso que me fez perder de amores por essa tua insensatez. Quanto mais vezes te tentei por fora da minha vida, mais vezes voltava a cair-te nos braços, sendo incapaz de te voltar as costas ou bater-te com a porta na cara. Palavras como não, basta, e chega, sempre foram muito difíceis de proferir. Sou uma romântica compulsiva, uma sonhadora incurável, uma racionalista sentimental. E mesmo durante as noites intensas, tive medo de fechar os olhos. Tive medo que não sentisses a mesma tranquilidade que eu, e que te fosses embora. Por isso, tentei sempre adormecer depois de ti, depois de ter a certeza que estavas profundamente entregue ao descanso. Para confiar são precisos dois corações dispostos, a dar, mas principalmente a receber. Para amar são precisos duas pessoas insaciáveis, porque o amor é louco, e quem não tem loucura suficiente para amar, nunca saberá o que é dormir em paz. E mesmo durante os beijos apaixonados, tive medo de me apegar demais a ti. Tive medo que de repente me afastasses do teu caminho, e por isso tentei sempre ficar contigo o menos tempo que conseguisse. Mas isso eram horas a fio, dias seguidos, semanas inteiras. Para mim pouco tempo, era o tempo todo que conseguisse. Para o beijo ser verdadeiro, são precisas duas entregas completas, duas pessoas sem medos, dispostas a partilhar o melhor de si com o outro. Se isso não acontece, não vale a pena fingir que esta a correr bem, porque sabemos à partida que não dará certo. E mesmo durante os momentos de prazer, tive medo de te deixar penetrar-me. Tive medo de não conseguir parar, de não saber deixar-te ir. Por isso preferi sempre pensar nas vezes que fazia amor contigo, como um sexo saboroso e satisfeito. Tentei resistir-te, mas acabei por voltar sempre a dormir contigo. Porque para isto funcionar é preciso inteligência, e acima de tudo tempo. Duas coisas que temos sempre, mas que só utilizamos quando queremos. Por isso que é tão difícil juntar o amor e sexo na mesma cama. Porque são precisos dois corpos desinibidos, completamente desvairados um pelo outro. É preciso astúcia, paciência e sobretudo muita vontade. E é por isso que mesmo enquanto me abraçavas enternecidamente, tentei nunca me deixar prender. Acabamos por nos enlear completamente. Vivemos agora num novelo de lã, e quanto mais o tentamos desfiar ate ao fim, mais se enrolam as pontas. Porque um abraço tem que ser dado com o corpo todo, com muita esperança e ternura. Não pode ser uma coisa premeditada. É importante que seja sempre inesperado e sincero, senão de nada vale, nada se sente. Para isso é preciso segurança pelos braços a que nos damos. E tentei nunca faze-lo com demasiada força para não nos magoar. E é por tudo isto que sempre que me tentavas dizer alguma coisa, eu tentava não ouvir. Porque se ouvisse ia prestar mais atenção às palavras que dizias do que à verdade com que o fazias. Ia acreditar sempre mais que tu. E é por isso mesmo que sempre tentei não me aproximar demasiado ti, porque iria proteger-te sempre, estivesses ou não ao meu lado.
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